O que é OpenCode? Uma explicação sem hype

opencode

Se você está mergulhado no mundo da programação com IA, já deve ter passado pelaquele dilema: qual ferramenta usar? Claude Code? Codex? Gemini? Cada uma tem sua CLI, sua forma de instalar MCPs, suas skills em pastas diferentes… No fim, vira uma bagunça de assinaturas, configurações e interfaces para gerenciar.

E se eu te disser que existe uma terceira via, totalmente open source, que promete colocar ordem nessa casa? Apresento o OpenCode: a CLI pensada justamente para ser a sua interface única e customizável para programar com qualquer modelo de IA.

Por que mais uma CLI? A Ideia por trás do OpenCode

A motivação do OpenCode é simples, mas poderosa: unificação e liberdade. Enquanto ferramentas como Claude Code (da Anthropic) são closed source e o Codex (da OpenAI) tem seus vieses naturais, o OpenCode nasceu da comunidade, com o código aberto, para ser um agente de programação neutro.

screenshot.CQjBbRyJ 1dLadc

A grande jogada é essa: você não está preso a um ecossistema. Quer usar o GPT-4o com a sua assinatura do ChatGPT Plus? Conecta. Prefere o Opus da Anthropic? Também pode (apesar de uma polêmica recente, mas já chegamos lá). Quer testar um modelo gratuito como o GLM, o Minimax ou até o Gemma do Google? Tudo isso roda dentro da mesma interface.

Isso resolve um problema real. Em vez de ficar alternando entre a CLI do Claude para uma tarefa, a do Codex para outra, e uma IDE como o Cursor para um terceiro cenário, você aprende uma única interface e só troca o modelo por trás. Surge um novo LLM chinês incrível amanhã? Basta adicioná-lo como provedor no OpenCode e seguir usando o mesmo fluxo de trabalho. A flexibilidade é total.

A polêmica que provou o ponto

Recentemente, a Anthropic tentou bloquear o uso das contas do Claude (como a assinatura Claude Max) dentro de ferramentas de terceiros, como o OpenCode. Foi um movimento claro para manter os usuários dentro do próprio ecossistema, o Claude Code.

A reação da comunidade foi rápida. David Heinemeier Hansson (DHH), criador do Rails, repercutiu o caso, destacando exatamente por que precisamos de ferramentas como o OpenCode: para não ficarmos reféns das decisões de um único provedor.

Enquanto isso, a OpenAI e outras empresas correram para afirmar seu apoio ao open source e à liberdade do usuário. O episódio foi um lembrete perfeito: quando sua ferramenta é independente, você tem o poder de escolha. Se um provedor fecha as portas, você migra para outro sem precisar reaprender tudo do zero.

Mãos à obra: como é usar o OpenCode?

A experiência na CLI é surpreendentemente boa. A interface (TUI) é agradável, com temas (adoro o Monokai), atalhos intuitivos (Ctrl+T para variantes de reasoning, Ctrl+P para a paleta de comandos) e modos de planejamento (plan mode) e execução (build mode).

A instalação é simples, via curl, e você começa com alguns modelos gratuitos já disponíveis no chamado OpenCode Zen, como o Minimax. Em segundos, já pode fazer uma pergunta e ver a IA trabalhando.

Mas a magia começa quando você conecta seus provedores. Fiz o teste:

  1. OpenAI: Com minha conta do ChatGPT Pro, foi um processo de login fácil. Em um minuto, tinha acesso ao GPT-4o, Codex, e todos os outros modelos na minha conta.
  2. Anthropic: Apesar da polêmica, no momento do teste, consegui conectar minha conta Claude Max sem problemas, liberando o poderoso Opus 4.5.

De repente, na mesma sessão, eu podia alternar entre perguntar algo para o Opus 4.5 e, na sequência, pedir para o GPT-4o refinar o código. Tudo no mesmo contexto, na mesma conversa.

Funcionalidades que brilham: Share Session, MCPs e Skills

Algumas features me impressionaram:

  • Compartilhamento de Sessões (Share Session): Isso é ouro. Qualquer interação pode ser compartilhada com um link. Gera uma página web linda com todo o histórico, os modelos usados, o thinking da IA e os resultados. Perfeito para colaboração, pedir ajuda ou, no meu caso, para criar conteúdo e mostrar o processo.
  • MCPs (Model Context Protocol): Funciona que é uma maravilha. Testei com o MCP do Context (para buscar documentação atualizada) e a instalação foi tranquila. A própria IA pode te ajudar a configurar o arquivo de configuração. Depois, é só usar: “busque a doc do SDK do Ghost no Context” e ele traz informações fresquinhas.
  • Skills: Se você, como eu, criou ou usa skills (como uma de princípios de design para front-end), é fácil adaptá-las para o OpenCode. Em um teste, pedi ao Opus 4.5 para usar uma skill de design para melhorar a UI de uma página. Ele carregou a skill, entendeu as diretrizes e aplicou mudanças sutis e consistentes no código, mostrando o raciocínio por trás de cada decisão.

Conclusão

O OpenCode não é necessariamente “o matador” do Claude Code ou do Codex. Para muitos, essas ferramentas ainda serão a primeira opção. O OpenCode é, na verdade, o grande unificador. É para quem não quer ter seu fluxo de trabalho ditado por uma única empresa.

É para o programador que:

  • Cansa de gerenciar múltiplas CLIs.
  • Quer testar modelos novos sem mudar de ferramenta.
  • Valoriza a transparência do código aberto.
  • Deseja usar suas assinaturas existentes (ChatGPT, Claude) onde bem entender.
  • Precisa compartilhar seu processo de forma rica e visual.

Para quem está começando e não quer pagar nada, é uma porta de entrada fantástica com modelos gratuitos robustos. Para quem já é power user, é a garantia de que seu ambiente de programação com IA é seu, portátil e adaptável ao futuro.

Depois de testar, a sensação é de uma liberdade bem-vinda. A comunidade ganhou um excelente concorrente que, mais do que competir, veio para integrar. E no mundo da IA, onde tudo muda na velocidade da luz, ter essa flexibilidade não é um luxo – é uma necessidade.

E aí, vai testar o OpenCode? Conta nos comentários o que achou!

MiniCurso Sujeito Prog Banner Dinâmico

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima